13.10.06

Quebra-cabeças

De tranças compridas enroladas pelos dedos, esperava que o mundo não se lhe apresentasse labiríntico. Não que não pudesse descobrir-lhe o queijo no fundo da rua, mas seria mais fácil seguir apenas em frent. Não recear olhar a curva seguinte. Não temer por uma corrida infrutífera, esbarrando em becos sem saída. Por outro lado, não se importava que a vida lhe parecesse um puzzle, ou um conjunto de peças lego por construir. Era perita em compreender as necessidades de cada buraco do puzzle e encontrar-lhe a peça em falta. Elevar edifícios com Legos era um passatempo que facilmente se poderia tornar num sonho. Criar, construir, sempre com a criatividade como aliada. A vida, afinal, era só isso, por enquanto: um puzzle por completar, um lego por construir. Algo que estava ao seu alcance, assim o quisesse.
As pessoas já não as via tão simples na lide. Pareceiam-se mais com as voltas dos seus cabelos nas tranças compridas, enroladas pelos seus próprios dedos. Auto-complicam-se.

11.10.06

Escrever escrevendo

Não gosto de cobranças. embora seja a primeira a cobrar a mim mesma a necessidade de escrever. Mas que não mo peçam. Isso não quero, nem gosto. Mas sim, sei que tenho de escrever. Mas se a minha vida é uma palma de mão sem linhas... sem montes de venús, sem vales de saturno... Escrever o quê? E como?... Escrevendo!
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Jamais poderei limitar a escrita à minha vida. Não dava um livro. Muito menos um blog. Esgotava o assunto em dois dias. escrever de mim para fora, mas não sobre mim. Comigo, mas sem "eus" verdadeiros. Autobiografias são para pessoas grandes, crescidas, que viveram o mundo na sua imensidão. Que viajaram. Que sentiram muito, e sempre mais. Eu ainda sou pequenina. Terei de fantasiar. Sempre. Com uma inocência constante.

8.10.06

Things have changed

O Outono chegou, e isso nota-se nos olhos daqueles que amamos. Vê-se na luz dos dias, menores, mais frescos. Muito mudou, com a chegada da estação das quedas... Muito, mesmo.
Deixei de regressar a casa às 19h00. Devido à formação, só encontro os que amo às 23h00. Não importa. O tempo de viver é para isso mesmo: viver, aproveitar, aprender sempre, crescer.
A minha irmã Elsa apanhou varicela. Repetiu-se a cena do pânico de a perdermos. Uma semana sem comer, sem tomar a ciclosporina, sem se tratar e o organismo começou a criar defesas para combater o corpo estranho: a minha medula. Uns dias no IPO em Lisboa e ficou tudo melhor. A minha mãe respirou de alívio. Uns dias depois, morre a minha avó. Aquela que nos criou, que vivia connosco desde que os meus pais se casaram. Não era só uma avó. Era a avó. Inácia dos Anjos Castro. Acredito que esteja com eles, os anjos. Morreu sem dor, colapso cardíaco. Rápido e sem dor. Como sempre desejou e pedia a Deus. Hoje há um quarto vazio lá em casa. Um quarto que deixa uma tremenda saudade pelas fotos de uma longa vida de 84 anos, duas filhas, seis netos e sete bisnetos. Uma vida cheia, bonita, sem doenças graves, com alegria e muito amor. Foi a minha primeira perda. E não foi fácil. Mas sei que, lá onde está, a minha avó terá mais força do que antes para nos proteger e ajudar. Agora sim, poderá olhar por nós.

7.9.06

Promessa ao futuro

Quando for grande, e não tiver tempo para as coisas todas da vida, quero pelo menos guardar tempo para vos ver crescer. Naquilo que de mim depender, vocês serão as crianças mais felizes do mundo. Quero ensinar-vos que a verdade, a tolerância e a alegria são as coisas mais importantes nas relações com os outros. Ensinar-vos que, com amor e afinco, o mundo é vosso! Vosso! Dizer-vos que, por muito que alguns o neguem, esta vida é mesmo maravilhosa demais para ser desperdiçada. E ensinar-vos o encanto de brincar à beira-mar, de olhar um ceú estrelado, de apanhar uma flor ou deixá-la desabrochar. Mostrar-vos o Alentejo que aprendi a amar, os animais como iguais, o sol como estrela mãe e a lua como companheira das horas escuras. Lembrar-vos que pai e mãe são porto seguro, nas mais frondosas tempestades.
E, depois de vos ver grandes, prontos para uma vida única e insubstituível, deixar-vos descobrir por vocês mesmos que o mundo pode ser cruel, amargo e as pessoas nem sempre são o que parecem. Mas que, ainda assim, continua a ser possível fazermos brilhar o coração daqueles que amamos.

29.8.06

'Friends'

Há pessoas que me fazem sentir um ser humano cheio de sorte. Posso dizer, com toda a honestidade, que sou feliz e em muito devo-o a três simples mas fantásticas pessoas. Sinto-me mesmo feliz! Amo-vos!

23.8.06

in-destinada

"Ao que tens de ir, não podes fugir."
Discordo completamente e, todos os dias, encontro pessoas que me repetem esta frase. Por mim, farei sempre aquilo que me parecer mais indicado. Nunca o que os outros julgam ser melhor para mim. Recuso-me, terminantemente. E não: o meu destino não está escrito!

22.8.06

Quando penso que já não me amas, vens com esse abraço forte, esse beijo molhado e esse carinho infinito. E sei, então, que há coisas que nunca acabam. Como nós.

21.8.06

Aluada

Se tu fosses o amor em dias de lua cheia e em noites de vento quente, seria eu céu e estrela cadente, à espera de um desejo teu, em busca de um sonho meu. Se tu pudesses ser meu em noites de insónias lunáticas e dias grandes, seria eu mar e onda e água, num vai-e-vem de espera constante.
Se eu fosse tua, num desespero de momento ébrio serias meu - embriaguez múltipla, extasiante, infinita. Se, num dia de lua cheia, o mar se deixasse embebedar de ti, bêbeda por ti seria eu, trazida pelo poder desse amor, finito, vazio, de uma noite só.
Bêbeda por ti. Em noites de lua cheia.

18.8.06

Narrow daylight



















Narrow daylight entered my room
Shining hours were brief
Winter is over
Summer is near
Are we stronger than we believe?

I walked through halls of reputation
Among the infamous too
As the camera clings to the common thread
Beyond all vanity
Into a gaze to shoot you through

Is the kindness we count upon
Hidden in everyone?
I stepped out in a sunlit groove
Although deep down
I wished it would rain
Washing away all the sadness and tears
That will never fall so heavily again

Is the kindness we count upon
Hidden in everyone
I stood there in the salt spray air
Felt wind sweeping over my face
I ran up through the rocks to the oldwooden cross
It's a place where I can find some peace
.
Palavras de Diana Krall, in "Narrow Daylight " (para ouvir no topo da coluna à direita)
Foto de Rui Bonito, in 1000imagens

16.8.06

Vou-venho

O Asulado é que tem razão. Sou caprichosa, mimada, faço birras, quero e depois não quero... Não sei o que quero, portanto. O Asulado sabe, porque tem assistido a uns amuos meus. Tem razão quando diz "Vá, vai lá. Depois estaremos por cá, quando quiseres." Tem uma paciência e sapiência invejáveis. E eu não. Talvez por isso tenhamos tido sempre uma relação estranha.
Bom, tudo isto para dizer que, desta vez, o Asulado voltou a ter razão, mas não na totalidade. É certo que me custa sempre deixar de escrever nos meus blogs, mas também é verdade que, desta vez, foi-se mesmo embora toda a minha criatividade. Talvez seja cansaço. talvez seja, simplesmente, falta de jeito para levar projectos adiante. Talvez seja porque a vida me corre bem, sem ser muito bem. Talvez seja também porque devia estar de férias, e ainda não consegui. Talvez seja porque, de repente, parece que todos os meus leitores deixaram de cá vir dar "mimos". Talvez também porque deixei de escrever com tanta frequência. Sou, de facto, caprichosa.
Mas garanto que, desta vez, não volto por acaso. Nem sozinha. Preciso de todos vós e de cada um. Se assim não for, não sei o que isto será.

4.8.06

Culpada

Perdi-lhe o rumo. Deixei-o levar-se por si só, sempre livre e inocente. Agora, perdi-lhe o sabor e a magia. Perdi o jeito e a vontade. Serei eternamente culpada. Jamais inocente.

30.7.06

A vida...


...é feita de altos e baixos.
.
Repare-se como os baixos são sempre menos significativos.


foto by me, 2005, Portel

26.7.06

Pretérito perfeitamente acabado

Num canto do quarto deixei-me ficar. Esperei por ti, na noite chegada. E no canto do chão olhei-te deitado, à espera de mim, de luz apagada. Deixei-me ficar, esperando por ti. Esperaste deitado, na noite acabada.

18.7.06

Este blog fez dois anos no passado dia 15 e, nem eu, nem ninguém, se lembrou do facto. Acho que revela uma série de coisas:
- Eu já não tenho tempo para isto;
- Os leitores já não têem tempo para isto;
- Ando esquecida;
- Andam esquecidos;
- Sou distraída;
- São distraídos, os meus hipotéticos leitores.
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Dito isto, resta-me agradecer a todos os que contribuíram para dois anos de inocências e indecências constantes. Homens, mulheres e coisas do género. Todinhos, até aqueles a quem nunca prestei a devida atenção. Asulado, a culpa é tua!
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11.7.06

Tropicalismos

Sem nunca lá ter estado, hoje estive em África, sob uma chuva quente, quente. e o vento soprou forte, escaldante, refrescando o pescoço molhado.

5.7.06

Fomos

Fomos grandes
Fomos fortes
Fomos capazes
Fomos menos
Fomos putos
Fomos vencidos
Fomos...
Portugal.
Já fomos...