A vida ensinou-me que, se um dia tropecei (e como tropecei!), é porque tentava avançar. Hoje lembrei-me disto, e vejo como a minha vida tem evoluído, em todos os aspectos, apesar de tantos tropeções.
E como há dias li, algures, quando pensamos que a vida está sempre na mesma, basta olharmos para trás uns 4 ou 5 anos e ver como tanto mudou!
Gosto de crescer, todos os dias, sem me sentir a envelhecer.
Sempre Inocentes. Do princípio das Coisas. Do nunca terminar um feito. Do jamais desistir de um sonho. Do sonhar sem destino. Do mundo. Das coisas. Das pessoas.
14.11.13
17.10.13
Beijos e afins
Quem me conhece e aqueles de quem gosto muito sabem que ADORO beijocar e abraçar! às vezes, nem sei bem porquê, até me afastam, como se não gostassem! (looool)
Ora, mal seria, se a minha filhota não tivesse este mesmo vício da mãe. E sim, mal será. Porque não tem. E eu andava louca com esta miúda, que só dava beijos às bonecas, às fotografias, às bicicletas, aos livros, às pulseiras e até a si própria, no espelho. Ou melhor, beijos a tudo, menos à mãe e, muito raramente ao pai.
Há coisa de dois dias, plim! Fez-se luz!
De repente, parece que as minhas preces foram ouvidas (afinal isto de ser religiosa dá algum jeito) e agora a minha filha já dá beijos à mãe e ao pai! E um beijinho na boca, doce, carinhoso, repenicado, fofinho, com direito a sorriso malandro no fim! E a mãe é agora uma pessoa mais feliz, porque eu peço e ela dá! Simples!
E agora posso beijá-la e pedir o troco, até que ela se farte novamente! :)
16.10.13
Baby brain...
É uma expressão que, se calhar, poucos conhecem e nem mesmo eu tenho a certeza de estar muito correcta em relação a isto.
Eu explico.
Na minha primeira gravidez li muito, procurei imenso e vasculhei tudo quanto era site, livro e revista sobre gravidezes, bebés e coisas fofas. Foi a primeira vez e justificava-se. Numa dessas buscas, descobri este termo: baby brain, utilizado pelos americanos para definir o cérebro... da MÃE!
Sim, as grávidas são pessoas burras, ainda que temporariamente. Falta o vocabulário, esquecemos as coisas mais incríveis e tudo parece demasiado difícil de explicar. Comigo foi assim. E foi uma das pouquíssimas coisas que detestei na minha gravidez.
Sofri disto e cheguei a pensar: "Virgem Santíssima! (sim, também fiquei religiosa durante a gravidez, depois passou) Tu queres ver que vou ficar burra para sempre? Tu queres ver que nunca mais vou conseguir dizer, escrever ou até mesmo pensar uma frase com vários complementos que não apenas o directo? Tu queres ver, Virgem Santíssima?" (entã abre os olhos, se queres ver)
É verdade. Temi pela minha inteligência, que é coisa que prezo muito. E depois a bebé nasceu e eu julguei que o baby brain desaparecia com o baby... mas não! Permaneceu! E acho mesmo que só voltei ao estado mental normal aí uns 7 ou 8 meses depois do parto.
Tenho fé, muita fé (sim, voltei a ficar religiosa, vá lá que só dura 9 meses) que desta vez a coisa será diferente. Ando a tentar descansar mais, dormir muitas horinhas e comer muitos legumes - diz que faz bem à saúde do cérebro.
Espero bem.
De qualquer forma, se notarem algo estranho por aqui.... não estranhem. Trata-se apenas de baby brain. E até parece fofinho, 'né?
Eu explico.
Na minha primeira gravidez li muito, procurei imenso e vasculhei tudo quanto era site, livro e revista sobre gravidezes, bebés e coisas fofas. Foi a primeira vez e justificava-se. Numa dessas buscas, descobri este termo: baby brain, utilizado pelos americanos para definir o cérebro... da MÃE!
Sim, as grávidas são pessoas burras, ainda que temporariamente. Falta o vocabulário, esquecemos as coisas mais incríveis e tudo parece demasiado difícil de explicar. Comigo foi assim. E foi uma das pouquíssimas coisas que detestei na minha gravidez.
Sofri disto e cheguei a pensar: "Virgem Santíssima! (sim, também fiquei religiosa durante a gravidez, depois passou) Tu queres ver que vou ficar burra para sempre? Tu queres ver que nunca mais vou conseguir dizer, escrever ou até mesmo pensar uma frase com vários complementos que não apenas o directo? Tu queres ver, Virgem Santíssima?" (entã abre os olhos, se queres ver)
É verdade. Temi pela minha inteligência, que é coisa que prezo muito. E depois a bebé nasceu e eu julguei que o baby brain desaparecia com o baby... mas não! Permaneceu! E acho mesmo que só voltei ao estado mental normal aí uns 7 ou 8 meses depois do parto.
Tenho fé, muita fé (sim, voltei a ficar religiosa, vá lá que só dura 9 meses) que desta vez a coisa será diferente. Ando a tentar descansar mais, dormir muitas horinhas e comer muitos legumes - diz que faz bem à saúde do cérebro.
Espero bem.
De qualquer forma, se notarem algo estranho por aqui.... não estranhem. Trata-se apenas de baby brain. E até parece fofinho, 'né?
9.10.13
Na cama
O aconchego dos lençois com o teu cheiro fazem as minhas noites mais tranquilas. E o toque das tuas mãos no meu ventre, na cadeira em que nos sentamos todas as noites, conduzem-me à tranquilidade que procuro todos os dias. E quando rodo o corpo, para o teu lado, rodas comigo, como numa dança sincronizada ao segundo. E expiramos juntos, inspiramos juntos, compassados. O beijo fortuito por entre dois sonhos, o afastar do meu cabelo da tua boca. O chega para cá. O chega para lá. Primeiro o frio, depois o calor.
E mesmo quando dormimos, fazemos amor, todos os dias.
E mesmo quando dormimos, fazemos amor, todos os dias.
8.10.13
"mãe de segunda viagem"
Diz que é assim que se chama a uma mulher que está grávida, pela segunda vez. É isso, sou agora uma mãe que, pela segunda vez na sua vida, engravidou e, se tudo correr como se pretende, vai dar ao mundo mais uma criatura e a esta família mais uma criança.
Já agora, se não for pedir muito ao Universo, gostava que fosse mais uma menina. Sim, já sei que "era mais giro o casal", ou o eterno "mas é tão bonito ter um menino" ou ainda "os meninos são mais amigos das mães". Dispenso - já agora fica o aviso - este tipo de verdades absolutas. Quero uma menina e ponto final! Se for um menino... ainda vou pensar no que farei. Ou devolvo ao remetente ou, com jeito, disfarço e faço dele uma menina com pila! LOL!
Claro que não o vou rejeitar nem coisa parecida me passa pela mona, mas, confesso, queria mesmo era uma menina. São fofas, delicadas, amorosas, têm um pipi como o meu (e não uma pila como o pai) e, além disso, dá-me mais jeito! As roupas, o quarto, as mobílias, as coisinhas fofas todas da mana mais velha... íam mesmo a calhar! Portanto, Sr. Universo, repito, se não for pedir muito, queria mesmo uma menina. Obrigadinha, sim?
Já agora, se não for pedir muito ao Universo, gostava que fosse mais uma menina. Sim, já sei que "era mais giro o casal", ou o eterno "mas é tão bonito ter um menino" ou ainda "os meninos são mais amigos das mães". Dispenso - já agora fica o aviso - este tipo de verdades absolutas. Quero uma menina e ponto final! Se for um menino... ainda vou pensar no que farei. Ou devolvo ao remetente ou, com jeito, disfarço e faço dele uma menina com pila! LOL!
Claro que não o vou rejeitar nem coisa parecida me passa pela mona, mas, confesso, queria mesmo era uma menina. São fofas, delicadas, amorosas, têm um pipi como o meu (e não uma pila como o pai) e, além disso, dá-me mais jeito! As roupas, o quarto, as mobílias, as coisinhas fofas todas da mana mais velha... íam mesmo a calhar! Portanto, Sr. Universo, repito, se não for pedir muito, queria mesmo uma menina. Obrigadinha, sim?
24.9.13
Anti-climax #1
Considere-se o acto sexual, prestes a culminar no êxtase que se pretende frequente, e ela diz:
- Ai! A tua verruga gigante do nariz está a magoar-me o calcanhar.
Desconhece-se e não se fornecem informações sobre a posição em que estariam os envolvidos.
- Ai! A tua verruga gigante do nariz está a magoar-me o calcanhar.
Desconhece-se e não se fornecem informações sobre a posição em que estariam os envolvidos.
19.9.13
Percursos
Saiu do banco com pressa, ao lado de tantas outras como ela, também com pressa. Depressa se viu ao balcão do café e logo depois na drogaria. Dali ainda foi ao supermercado, onde perdeu umas horas. Mais tarde, já a caminho, na estrada, ouviu as notícias, as músicas e as crianças no banco de trás. Entardecia. E parecia que ainda ia demorar até descansar. Mais corrida, ainda até à fast-food e, finalmente, chegou a casa. Deu por si às voltas, às voltas, encharcada e mal disposta. Quando se apercebeu, finalmente, que estava na máquina de lavar.
É dura, a vida de uma nota de 5.
É dura, a vida de uma nota de 5.
A Fita
Se a vida fosse uma película de cinema, a nossa história não dava um filme de sucesso. Eu apaixonada, tu enamorado, encontros perfeitos e banda sonora adequada. Sem vilão, sem dramas, sem anti-heróis. Um romance fácil, romântico - e só. Cenas quentes, cenas cómicas, cenas amorosas. E pronto. Não vendia. Ainda assim, pagava para ver, caso não o vivesse, este enredo em que me encontro. Em que te encontro. Em que nos encontramos romanticamente dia após dia.
19.8.13
Regressada
Família, jantares nas esplanadas, almoços de peixe fresquíssimo, muita conversa, praia da boa, com águas mornas e sol q.b., brincadeiras à beira-mar, bronze no ponto, cinema, música, comprinhas nos saldos, alegria e bem-estar, pôr-do-sol, noites frescas, brisas marítimas, caminhadas, arroz de marisco e muito, muito tempo para a menina da minha vida. Foram poucas, mas muito boas. Regressada e recuperadíssima! Baterias carregadas!
9.8.13
Delírios pré-férias
Uma pessoa ouve tanta coisa, vê tanta coisa e nunca está preparada para o impacto que causam. Penso sempre que já vi tudo, que já nada me surpreende, já nada me entristece naquele entristecer acompanhado de desilusão, mas não é verdade. A cada novo dia há sempre qualquer coisa que cai cá dentro como uma pequena mas eficaz granada. Destrói devagarinho, deixa estilhaços e fere. Não se incomodem que não é nada grave. Nada de irremediável. A não ser mesmo a tal inocência, que afinal parece que ainda tenho e que vou perdendo, todos os dias.
Acredito que o meu mal é fartura. Fartura desta vidinha de pobre/trabalhadora/mãe/mulher. Isto depois das férias passa. A ver vamos. Com licença que vou ali "tirar uns dias", que isso de ir de férias é coisa de rico e desimpedido.
Acredito que o meu mal é fartura. Fartura desta vidinha de pobre/trabalhadora/mãe/mulher. Isto depois das férias passa. A ver vamos. Com licença que vou ali "tirar uns dias", que isso de ir de férias é coisa de rico e desimpedido.
8.8.13
Escolhas
Muitos questionam a minha mudança de vida, de lugar, de relação, de emprego que escolhi fazer há 5 anos atrás. A minha mãe espanta-se e fala muitas vezes na facilidade que tive em adaptar-me a um lugar como Beja, quando toda a minha vida tinha vivido perto do mar. Os amigos questionam-se como consigo viver num sítio tão "parado", quando ando sempre a mil e quinhentos. Pois bem, pretendo desmistificar tudo isso hoje mesmo, no dia em que faz precisamente 5 anos que me mudei para este novo "meu" lugar.
Em Beja não há mar, não há ruas "a direito", não há peixe fresco, acabado de apanhar nem sequer marisco "dali". Não há cheiro a maresia, não há esplanadas com brisa fresca, não há cerveja Cristal e xaputa foi coisa que nunca vi à venda. Nem tremelga. Nem pata-roxa. Mas em Beja há planícies lindíssima, cobertas de flores brancas, amarelas, roxas e, dependendo dos sítios, gigantes girassóis! Há pores do sol lindíssimos, céus nocturnos incríveis, sopas, migas, gaspachos e ervas aromáticas como nunca tinha visto. Há um tempo que passa mais devagar. E não há trânsito difícil. E não há filas. e não há dificuldade em estacionar. Pode "brincar-se na rua. Deixa-se a porta de casa aberta. dorme-se de janela aberta mesmo num rés-do-chão. E depois há o amor dos meus, do meu marido, da minha filha. De alguns amigos e até mesmo da família que, apesar de longe, está sempre, claro está, no coração. E não há mais perto que isso.
Sou muito feliz aqui. E, sinceramente, não faço questão nenhuma em voltar a morar no Algarve. Sabe muito melhor fazer como metade dos portugueses e ir apenas de fim-de-semana ou nas férias.
Sim, sou feliz em Beja! E até já "pari" aqui uma alentejanita linda, fofa e com um sotaque alentejano de mijar a rir! :)
Em Beja não há mar, não há ruas "a direito", não há peixe fresco, acabado de apanhar nem sequer marisco "dali". Não há cheiro a maresia, não há esplanadas com brisa fresca, não há cerveja Cristal e xaputa foi coisa que nunca vi à venda. Nem tremelga. Nem pata-roxa. Mas em Beja há planícies lindíssima, cobertas de flores brancas, amarelas, roxas e, dependendo dos sítios, gigantes girassóis! Há pores do sol lindíssimos, céus nocturnos incríveis, sopas, migas, gaspachos e ervas aromáticas como nunca tinha visto. Há um tempo que passa mais devagar. E não há trânsito difícil. E não há filas. e não há dificuldade em estacionar. Pode "brincar-se na rua. Deixa-se a porta de casa aberta. dorme-se de janela aberta mesmo num rés-do-chão. E depois há o amor dos meus, do meu marido, da minha filha. De alguns amigos e até mesmo da família que, apesar de longe, está sempre, claro está, no coração. E não há mais perto que isso.
Sou muito feliz aqui. E, sinceramente, não faço questão nenhuma em voltar a morar no Algarve. Sabe muito melhor fazer como metade dos portugueses e ir apenas de fim-de-semana ou nas férias.
Sim, sou feliz em Beja! E até já "pari" aqui uma alentejanita linda, fofa e com um sotaque alentejano de mijar a rir! :)
5.8.13
Todo o desejo num abraço
Por muito que me esforce, nunca sei como desejar o melhor para aqueles que amo. E acabo sempre por permanecer embrulhada nas piores palavras para a situação. E é então que opto pelo simples e completo abraço apertado! Não fica a faltar nada. Um abraço diz tudo.
2.8.13
Coisas que nunca ( ) mas que sempre ( )
Começa agora uma nova forma (para mim), de me "obrigar" a ser mais assídua aqui. A série "Coisas que nunca ( ) mas que sempre ( )" permite-me encaixar ali no meio dos parêntesis o que eu bem quiser e entender. Hoje, por exemplo serão as palavras "contei" e "fiz". Ou seja: Coisas que nunca contei mas que sempre fiz. Aqui vai:
Todos os dias de manhã, imediatamente antes de sair de perto da minha filha, dou-lhe um beijo forte e, se ela deixar, um abraço e, em segredo para comigo mesma, repito três vezes "Amo-te muito, amo-te sempre". Quero ter sempre a certeza que o "disse", que ela "ouviu" e sentiu o meu amor. Só para o caso de o pior acontecer e, por algum motivo aquele possa ser o nosso último momento juntas.
Agora que verbalizo isto vejo o quão ridículo, a roçar a esquizoftrenia, isto é.
Todos os dias de manhã, imediatamente antes de sair de perto da minha filha, dou-lhe um beijo forte e, se ela deixar, um abraço e, em segredo para comigo mesma, repito três vezes "Amo-te muito, amo-te sempre". Quero ter sempre a certeza que o "disse", que ela "ouviu" e sentiu o meu amor. Só para o caso de o pior acontecer e, por algum motivo aquele possa ser o nosso último momento juntas.
Agora que verbalizo isto vejo o quão ridículo, a roçar a esquizoftrenia, isto é.
30.7.13
Chegaram a ser vizinhos,
mas o Blogger chegou primeiro ao bairro. Tinha um grupo de amigos que fazia inveja a qualquer um. O rapaz era um fenómeno. Não havia alma que não quisesse fazer parte do seu círculo de amizades. E assim andava, feliz, sem grandes ondas! Um dia começou a ouvir dizer que havia um novo vizinho no bairro (parece-me que se chamava "blogosfera", o bairro), e que já começava a cair em graça da vizinhança. Chamava-se Facebook e era muito dado, de muito fácil lidação... bom rapaz! Que era trabalhador, que sabia imensas coisas sobre todos os vizinhos e.... fazia questão de contar tudo a toda a gente! Ainda assim, e sabendo o risco que corriam, pouco a pouco, os vizinhos começaram a contar-lhe a sua vidinha toda! Ora, como bom vizinho fofoqueiro que era, o Facebook não escondia nada de ninguém e, às tantas, já toda a vizinhança sabia da vida do vizinho do lado. E até da vida do vizinho que morava na rua mais longínqua! Foi o descalabro! O Facebook era tão popular, tão giro, tão fresco, que toda a minha gente se esqueceu do Blogger, moço educado, comedido, que só contava da vida alheia aquilo que a vida alheia lhe pedia para contar!
Até eu, me esqueci que o Blogger havia sido meu amigo, com tanto frenesim em torno da nova criatura! É verdade... Esqueci-me, inclusive, de todas as vezes em que desabafei, chorei, sorrir e gargalhei, sem ouvir da sua parte uma reprimenda, uma palavra mais brusca... Pelo contrário! Ficava ali, calado, a ouvir, sossegado... E chegámos a ser cerca de 40, lá os da blogosfera do algarve, que nos juntávamos todos, em torno do rapaz, a conversar, a contar histórias, a partilhar experiências...
Fico triste, hoje, ao perceber que a rapidez do Facebook se sobrepôs à calma do Blogger. Até nisto, o fast ganhou ao slow...
Sei que também sou culpada, alto lá que não me estou a ilibar! Mas agora, que a idade já é outra e a vida me foge das mãos a uma velocidade tremenda, decidi voltar à terra, ao mesmo "bairro" que me viu crescer e quero voltar a falar com o blogger! Aliás, aqui está ele! És sempre tão bom ouvinte! Deixa-te ficar assim, não tenhas pressa nem contes ao mundo o que aqui te digo. Fica entre nós. Entre estes, que por aqui ainda andam. Deixa, seremos só nós. Não faz mal. Ao menos, aqui, a vida corre mais devagar.
Até eu, me esqueci que o Blogger havia sido meu amigo, com tanto frenesim em torno da nova criatura! É verdade... Esqueci-me, inclusive, de todas as vezes em que desabafei, chorei, sorrir e gargalhei, sem ouvir da sua parte uma reprimenda, uma palavra mais brusca... Pelo contrário! Ficava ali, calado, a ouvir, sossegado... E chegámos a ser cerca de 40, lá os da blogosfera do algarve, que nos juntávamos todos, em torno do rapaz, a conversar, a contar histórias, a partilhar experiências...
Fico triste, hoje, ao perceber que a rapidez do Facebook se sobrepôs à calma do Blogger. Até nisto, o fast ganhou ao slow...
Sei que também sou culpada, alto lá que não me estou a ilibar! Mas agora, que a idade já é outra e a vida me foge das mãos a uma velocidade tremenda, decidi voltar à terra, ao mesmo "bairro" que me viu crescer e quero voltar a falar com o blogger! Aliás, aqui está ele! És sempre tão bom ouvinte! Deixa-te ficar assim, não tenhas pressa nem contes ao mundo o que aqui te digo. Fica entre nós. Entre estes, que por aqui ainda andam. Deixa, seremos só nós. Não faz mal. Ao menos, aqui, a vida corre mais devagar.
Quando as adivinhações se concretizam
toda a vida lhe tinham dito: depois dos trinta? Ai, depois dos 30... Cabelos branco, dor nas costas, o joelho que avisa das intempéries, a pele que não brilha, os dentes que apodrecem, as rugas que aparecem.
Sempre pensou serem apenas umas pragas disfarçadas de certezas de quem sabe.
Fossem o que fossem, eram verdade.
Agora, depois dos trinta, decidira fazer o mesmo: espalhar o pânico na mente das jovens carcaças de 22 anos. Aaaaaaaahhhhhhhhh! E sabia bem, saber que - praga ou certeza - aconteceria, depois dos 30.
Sempre pensou serem apenas umas pragas disfarçadas de certezas de quem sabe.
Fossem o que fossem, eram verdade.
Agora, depois dos trinta, decidira fazer o mesmo: espalhar o pânico na mente das jovens carcaças de 22 anos. Aaaaaaaahhhhhhhhh! E sabia bem, saber que - praga ou certeza - aconteceria, depois dos 30.
29.7.13
Sem título III
Trazia na alma a canção da manhã e no olhar a discussão da noite anterior. Tudo se resolvera na cama, como acontece com as pessoas que não amam. Mas amava. E não compreendia a solidão que teimava em manifestar-se.
Bebeu o café no sítio do costume, encontrou o homem lindo que bebia descafeinado às 8h55, esperou pelas 9h00 e largou 50 cêntimos em cima da mesa. Depois da porta do café da esquina era a selva. O barulho ensurdecedor, o cheiro a mortos-vivos, a cor amarela da cidade.
Baixou os óculos escuros até aos olhos, suspirou e fez-se à calçada. Evitou pisar a merda espalhada pelo chão, não tirou as mãos dos bolsos e acabou por chegar ao destino.
a canção da manhã continuava na alma, mas o olhar era agora de quem vampiriza a alma dos outros. Solidão, raiva, embargo na voz e uma tristeza imensa.
Segunda-feira.
15.2.13
Premonições??
Ontem ao final do dia fui jogar no euromilhões e no totoloto.
É que tive um sonho profundamente real no qual tinha ganho 140 mil euros num destes jogos (não me lembro qual). E acordei com a chave clara na cabeça, coisa rara, em mim. Anotei os números. E acreditei piamente que teriam prémio.
Como dizia o cego, a ver vamos.
É que tive um sonho profundamente real no qual tinha ganho 140 mil euros num destes jogos (não me lembro qual). E acordei com a chave clara na cabeça, coisa rara, em mim. Anotei os números. E acreditei piamente que teriam prémio.
Como dizia o cego, a ver vamos.
14.2.13
Heranças
Costumo brincar com o facto de, a única herança que recebi dos meus entes queridos que já cá não estão, ter sido uma asma do meu avô, as dores da minha avó e o mau feitio do meu pai. Quando a minha mãe também se for, espero herdar dela a capacidade de resiliência.Mulher forte!!!
Mas, dizia eu, costumo brincar com isto porque, de facto, não tenho nem nunca tive parentes ricos, que pudessem sequer fazer desejar a sua morte, como nas novelas brasileiras (e portuguesas!). Tudo bem, antes assim. Pelo menos sei que nunca vou ficar rica devido a heranças. Aguardo pacientemente uma sorte no euromilhões.
Os meus que já cá não estão deixaram-me coisas tão "mais melhores boas" que nem preciso de pensar em dinheiro:
- sempre que como caldeirada lembro-me da minha avó e da sua paciência para me "arranjar" o peixinho;
- sempre que como peixe frito do dia anterior e em vinha d'alho, lembro-me do meu avô e desse momento em que comíamos os dois à mesa esse belo petisco e me caiu o primeiro dente;
- sempre que faço arroz de tomate e de manteiga, tenho a minha avó ao lado;
- sempre que como um bife de vitela lembro-me do meu pai e dos excelentes molhos "au poivre noir" que ele fazia;
- sempre que faço bacalhau com grão lembro-me da minha irmã Elsa que amava grão cozido (e cujo prato de bacalhau com grão era mais de grão com bacalhau)
....
Enfim, podia continuar a lista, pois que cada momento do meu dia é recheado de lembranças boas das pessoas que amo e que se foram.
E não há, decerto, herança melhor que a lembrança.
Mas, dizia eu, costumo brincar com isto porque, de facto, não tenho nem nunca tive parentes ricos, que pudessem sequer fazer desejar a sua morte, como nas novelas brasileiras (e portuguesas!). Tudo bem, antes assim. Pelo menos sei que nunca vou ficar rica devido a heranças. Aguardo pacientemente uma sorte no euromilhões.
Os meus que já cá não estão deixaram-me coisas tão "mais melhores boas" que nem preciso de pensar em dinheiro:
- sempre que como caldeirada lembro-me da minha avó e da sua paciência para me "arranjar" o peixinho;
- sempre que como peixe frito do dia anterior e em vinha d'alho, lembro-me do meu avô e desse momento em que comíamos os dois à mesa esse belo petisco e me caiu o primeiro dente;
- sempre que faço arroz de tomate e de manteiga, tenho a minha avó ao lado;
- sempre que como um bife de vitela lembro-me do meu pai e dos excelentes molhos "au poivre noir" que ele fazia;
- sempre que faço bacalhau com grão lembro-me da minha irmã Elsa que amava grão cozido (e cujo prato de bacalhau com grão era mais de grão com bacalhau)
....
Enfim, podia continuar a lista, pois que cada momento do meu dia é recheado de lembranças boas das pessoas que amo e que se foram.
E não há, decerto, herança melhor que a lembrança.
8.2.13
Pensamentos Suspensos
Firmou-se frente à porta em bicos de pés. Pela fechadura antiga,
larga e enferrujada, conseguiu vislumbrar os botões de uma casaca
velha, de fazenda xadrezada.
Colocou as duas mãos à volta da maçaneta escorregadia. Esperava encontrar o corcunda da terra que, dizia-se, fazia bruxedos em noites sem lua, com sapos e cobras. Todo o quadro se desenhou na sua imaginação.
E num ápice, apenas porque alguém na cadeira ao lado espirrou, o rapaz deixou cair a tela que acabra de pintar na sala dos seus pensamentos.
Tudo bem. Neste caso, a tinta nunca falta e há sempre mais uma tela em branco para preencher.
Colocou as duas mãos à volta da maçaneta escorregadia. Esperava encontrar o corcunda da terra que, dizia-se, fazia bruxedos em noites sem lua, com sapos e cobras. Todo o quadro se desenhou na sua imaginação.
E num ápice, apenas porque alguém na cadeira ao lado espirrou, o rapaz deixou cair a tela que acabra de pintar na sala dos seus pensamentos.
Tudo bem. Neste caso, a tinta nunca falta e há sempre mais uma tela em branco para preencher.
6.2.13
Lar, quente lar.
A dor na nuca que se estende aos ombros, se espalha pelas costas e acaba nas coxas. O frio na ponta dos dedos dos pés, que teima em subir pernas acima, até esbarrar com a dor nas coxas. O desconforto do casaco vestido (pois claro!) e da luz artificial. Os dias ainda são curtos. O relógio avança, mas não rápido o suficiente. Tenho uma vontade tremenda de chegar a casa, beijar a minha filha, enfiar-me na banheira com ela e, depois do jantar, namorar com ele. Ele, que hoje faz 34 anos. Ele, que diz que está quase a entrar na andropausa. Que já quase se sente com 40. "Velho, mas não gasto".
Não é justo que a vida aconteça tão depressa. Ou que nós passemos por ela de forma tão fugaz. Não é fácil lutar, todos os dias, contra estes ritmos, estas dores, estes afazeres domésticos... e continuar a acreditar que vale a pena, que somos maiores que todos os contratempos, que o amor resistirá... Não é fácil. É díficil, diria, até. Mas é possível. É uma luta constante, mas é possível. E a sorte é que, todos os dias, quando acordo, me sinto sempre uma nova mulher. Sempre disposta a viver um dia de cada vez.
E é isto.
Hoje, ele faz anos. Mais um. Um ano bom. Mais um ano de nós, da nossa pequenina família. E somos felizes. E hoje, apesar das dores, do frio e do desconforto, vamos festejar, humildemente, lá em casa. Com amor, abraços, beijos e miminhos. Mesmo ali, no sofá. No quentinho do nosso lar.
Não é justo que a vida aconteça tão depressa. Ou que nós passemos por ela de forma tão fugaz. Não é fácil lutar, todos os dias, contra estes ritmos, estas dores, estes afazeres domésticos... e continuar a acreditar que vale a pena, que somos maiores que todos os contratempos, que o amor resistirá... Não é fácil. É díficil, diria, até. Mas é possível. É uma luta constante, mas é possível. E a sorte é que, todos os dias, quando acordo, me sinto sempre uma nova mulher. Sempre disposta a viver um dia de cada vez.
E é isto.
Hoje, ele faz anos. Mais um. Um ano bom. Mais um ano de nós, da nossa pequenina família. E somos felizes. E hoje, apesar das dores, do frio e do desconforto, vamos festejar, humildemente, lá em casa. Com amor, abraços, beijos e miminhos. Mesmo ali, no sofá. No quentinho do nosso lar.
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